Em tempos onde a fé é tantas vezes silenciada e a ancestralidade desrespeitada, o nome de Bàbálòrìṣà Ribamar T’Òṣóòsí ecoa como um verdadeiro tambor sagrado: firme, vibrante e cheio de axé. São 41 anos de iniciado, mas muito mais do que uma contagem no tempo — trata-se de uma trajetória de coragem, entrega e transformação. Ribamar não apenas caminha com Òṣóòsí; ele é estrada, bússola e guia para tantos que buscam no Candomblé uma reconexão com suas raízes e identidade. Sua existência é, por si só, um ato de resistência e uma oferenda viva à espiritualidade.
Hoje, o Ilé Àṣẹ Odẹ Oníṣègùn, fundado e cultivado por ele com tanto zelo, não é apenas um templo — é um ponto de luz, tradição e respeito em toda a região. Cada pedra assentada, cada folha colhida, cada reza entoada carrega o peso de uma história construída com dignidade, fé e o mais profundo amor ao sagrado.
A caminhada de Bàbálòrìṣà Ribamar foi marcada por inúmeras batalhas — sociais, espirituais e pessoais. Ainda assim, ele seguiu firme, guiado pela flecha certeira de Òṣóòsí e pela força inquebrantável dos orixás. E é essa força que hoje nos inspira, nos une e nos mostra que manter nossas tradições é também um ato político, um ato de amor e, acima de tudo, de vitória.
A cada ebó, a cada xirê, a cada ensinamento transmitido, ele planta sementes que germinam em axé e pertencimento. E por isso, hoje não celebramos apenas um número — celebramos um legado, uma vida inteira dedicada à preservação da cultura afro-brasileira, à espiritualidade e ao acolhimento da comunidade.
Que este marco seja celebrado com toda a alegria e reverência que merece. Que venham muitos outros anos de conquistas, saúde e axé. Porque enquanto houver fé, haverá caminho. E enquanto houver Ribamar T’Òṣóòsí, haverá sempre resistência.