O destino político e a liberdade do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro estão em xeque. Nesta terça-feira, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deu início a um dos julgamentos mais aguardados dos últimos tempos: a Ação Penal (AP) 2668, que investiga a suposta tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. Com sete réus pertencentes ao chamado “núcleo crucial do golpe”, a decisão do STF pode impactar não apenas a vida de Bolsonaro, mas também o cenário político interno do país.
O advogado criminalista e constitucionalista Dr. Suenilson Sá, em entrevista exclusiva ao Jornal Perfil dos Municípios, destacou a importância de seguir o rito legal.
“Independentemente da ideologia ou das infrações atribuídas, todos têm direito à ampla defesa e ao contraditório. Qualquer ruptura no processo pode contaminar sua lisura”, afirmou o especialista, ressaltando a confiança na condução do STF.
O julgamento, com relatoria do ministro Alexandre de Moraes, concentra-se no que foi chamado de “núcleo crucial” da tentativa de golpe.
Caso haja condenação, Dr. Suenilson Sá explica que as penas devem ser proporcionais e fundamentadas, levando em conta as circunstâncias pessoais de cada réu.
As possíveis punições para Bolsonaro, se condenado, podem variar de multas e ressarcimento de danos até penas de prisão, além da inelegibilidade, que já o impede de disputar eleições até 2030 devido a outro processo julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Reflexos na política e a polêmica da Anistia
Uma eventual condenação de Bolsonaro pode acirrar ainda mais a polarização política no Brasil. A ala mais radical de seus apoiadores, que já enxerga o julgamento como uma perseguição, pode reagir com manifestações, enquanto a situação e os setores democráticos podem interpretar a decisão como um fortalecimento das instituições.
Nesse contexto, os projetos de lei que propõem anistia aos envolvidos nos atos golpistas têm ganhado destaque. Dr. Suenilson Sá traçou um paralelo com a Lei de Anistia de 1979 e defendeu um debate mais aprofundado. “Anistiar não significa esquecer, mas sim buscar a pacificação nacional”, pontuou o advogado, sugerindo que a questão exige uma reflexão que vá além de ideologias partidárias.
Peões no Xadrez de Trump?
Enquanto o ex-presidente enfrenta o STF, as ações de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, e de Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente-general João Batista de Oliveira Figueiredo, têm gerado controvérsia.
Ambos defendem uma retaliação permanente do governo de Donald Trump aos interesses brasileiros, especialmente na área comercial, como resposta ao julgamento de Bolsonaro.
O Dr. Suenilson Sá minimizou a influência dos dois. Ele os descreveu como “meros peões”, considerando suas ações uma “lesão à pátria” e peças insignificantes na estratégia de Trump.
Para o advogado, o ex-presidente dos EUA usaria qualquer pretexto para aplicar sua política comercial agressiva, com ou sem o processo de Bolsonaro.
As tentativas de Eduardo e Figueiredo de pedir intervenção externa, portanto, são vistas como gestos que apenas enfraquecem o Brasil no cenário internacional, sem qualquer impacto real na política de Trump, que também é extensiva a outros países e potências mundiais.
O veredito do STF, independentemente do resultado, será um divisor de águas para a política brasileira.
A sociedade aguarda para ver se o julgamento reforçará a força das instituições ou se intensificará a divisão radical política, existente hoje no país.
Na foto (arquivo) em destaque, Dr. Suenilson Sá atuando no plenário do STJ.
















































